Saudade

A saudade apareceu. Fez uma surpresa e ainda está aqui. É uma saudade boa, daquelas que dá vontade de lembrar e este foi o motivo para eu não querer ver ninguém hoje de manhã, eu não quero que ela vá embora ainda. Deixa pra depois. Tchau.

É sempre você.

Tenho pensado ultimamente sobre algumas coisas. É interessante como sempre é você. Tudo gira ao seu redor, não há um único dia em que você não apareça nos meus pensamentos, não há um único dia em que eu não sinto falta de nós. Custo a acreditar que após todo este tempo alguma coisa acontecerá, mas tenho muitas dúvidas. Como pode ser assim? Como você some e depois aparece como se nada tivesse acontecido? E depois some novamente, sim você simplesmente some.

Como pode isso ainda acontecer? Será que não aprendemos? Será que eu ainda quero uma chance? (sim) Será que você já pensou em me dar outra chance? (nem imagino) Ah, mas eu tento, mantenho este pensamento guardado aqui, tento não criar expectativas, tento manter tudo devagar para ter uma única chance de bons resultados. Uma chance de consertar tudo.

“Afinal, consertar o que?”

É verdade, não contei a você, desculpa por isso. Aconteceu que eu em um momento me senti inseguro, como sempre acontecia, e tive uma atitude ruim. Não pense que foi algo grave (aliás, grave pra mim é traição ou violência, foi neste mundo que fui criado), não, o que aconteceu foi que em um momento deixei de dar atenção a quem estava me fazendo feliz e por três dias me desliguei demais e segui conselhos não necessários. Ah se arrependimento matasse, não é mesmo? Sim, eu bem que gostaria que funcionasse assim, mas a realidade é outra, e vamos admitir, sem erros não haveria acertos.

O que quero dizer é o seguinte. Já se passaram seis meses desde que você terminou e não há um dia em que eu não lembre coisas boas entre nós. Você não imagina o quanto eu queria ter tudo isso novamente. É complicado, quando nós começamos, eu ainda sentia algo por outra pessoa e é óbvio que isso incomodava você. Quem é que não ficaria incomodado, não é mesmo?

A verdade é que você sempre será importante, lembra-se da música? Aquela que diz que fui seu melhor namorado? Pois é, eu canto às vezes, invertendo os papéis, dizendo que você foi minha melhor namorada. É a verdade, não vamos negar. De todas as outras namoradas as únicas que ainda conversam comigo sobre qualquer assunto é você e a anterior a você. Aliás, a anterior é uma grande amiga, ela é muito legal, mas sabíamos desde o início que o relacionamento não iria longe, pois éramos muito novos para tomar decisões sérias.

Voltando ao assunto principal, a sua blusa ainda está aqui, haha. E eu gostei muito que você tenha esquecido ela pela segunda vez, na verdade fui eu quem se esqueceu de lhe devolver. Se isso significa alguma coisa, não sei, estou pensando menos agora. Lembro que pensar demais foi o que não permitiu que continuássemos.

“Ei, volta pra mim? Vem ser minha namorada de novo.”

Pra que isso, cara? Espera o fim do texto, você está muito apressado.

Desculpe-me por isso, às vezes sou muito impaciente. Ah, verdade, sou impaciente às vezes. Você ficou muito estressada comigo naquele dia em que eu pedia por atenção. Desculpa, algumas vezes sou um imbecil, idiota e arrogante. Eu estou tentando controlar isso.

Neste mesmo dia em que pedi sua atenção, lembrei-me dos dias que conheci sua família. Não aquele dia no rio, com seu pai na churrasqueira e seu irmão pescando no fim da tarde, não foi este. Eu me lembrei do dia em que conheci seus tios, tias e seus avós, você não sabe o quanto isso me deixou triste. Não fiquei triste apenas por nós, na verdade foi porque neste mesmo momento lembrei a última vez que vi sua avó. Ela estava sentada na frente da sua casa, dizendo que eu não precisava emagrecer que só era necessário cortar os cabelos e ser mais extrovertido. Eu lembro isso. E eu também sinto muito por tocar nestas lembranças, sei que ainda não faz tanto tempo assim. Disse isso apenas porque é a melhor lembrança que tenho dela. Desculpe-me.

– Ah, para de pedir desculpas!

– Eu sei, desculpe. 🙂

Ei! Fiz minhas primeiras rimas para você, haha. Comecei muito ruim, mas você disse que estou melhor. “Amour, vem me visitar, pois companhia igual a você não há, amour, vem ser minha companhia, para deixar minha noite cheia de alegria”. Admito que foi ruim, haha.

Eu inventei de reler nossas conversas. É interessante como você agiu quando disse que gostava de mim e agora é mais interessante como eu estou agindo depois que você terminou. Fico um pouco incrédulo e até fico rindo para as paredes após ler, porque não consigo acreditar que aquilo eram apenas palavras e não fazem o menor sentido hoje. Talvez fossem reais apenas ali, naquela hora, naquele momento. Talvez quando o mês acabou você já não sentia a mesma coisa que sentiu antes, quem sabe o real motivo do fim? Eu ainda não consigo acreditar, apesar das evidências.

– Vamos começar de novo?

– Eu não quero me machucar. Acho que antes de tudo você deve colocar a sua cabeça no lugar e seu coração também.

– Sim, você também deve.

É isso, não procuro aumentar mais este texto. Para ser sincero, comecei a escrever ele pelo final, com a triste e falha intenção de mostrar que o que eu sinto é verdadeiro, como eu sempre disse que seria.

Independente de tudo o que aconteceu,

Eu te amo.

Independente dos resultados,

Eu te amo.

Independente da sua escolha,

Eu te amo.

E é isso que não me deixa desistir, pois é sempre você.

Reflexões sobre as crianças, a família e o futuro.

Daqui do meu quarto escuto aquelas crianças brincando lá fora na rua, isso me incomoda de uma maneira diferente. As meninas correm e se escondem, gritam quando são encontradas pelo garoto que ficou contando até cinquenta na porta da casa de um dos vizinhos, isso me faz pensar: será que esse menino e as garotas imaginam como serão suas vidas em dez anos? Será que existe essa preocupação na cabeça infantil dessas crianças? Eu acredito que não. Eu nunca pensei nisso quando tinha a idade delas, eu queria apenas brincar, exatamente como elas estão agora. Sem preocupações, sem problemas sérios de adultos.

Quem é que compra a comida? Quem é que te matriculou na escola? Quem é que compra suas roupas? Elas não pensam nisso.

Pareço deprimido? É que na verdade realmente estou. Há um tempo venho pensando sobre isso, sobre como o tempo passa rápido quando crescemos, sobre como não conseguimos mais fazer nada do que queríamos.  Eu queria poder voltar no tempo. Eu queria poder prevenir aquele garoto de dez anos da dor que ele sentiria cinco anos depois, queria poder ajudar nas coisas básicas, queria que ele ficasse preparado para as mudanças que viriam a acontecer, queria ter a chance de distribuir conselhos para ele, mesmo que não soubesse que eu seria ele em nove anos.

Quanto tempo passou? Muito, eu lhe respondo. Dezenove anos. A primeira fase da sua vida passou e você aproveitou bem, não tem mais volta. E aquelas fotografias? Não consigo lembrar aqueles dias, mas vejo nas fotos uma criança que sei que sou eu. Reconheço-me e não lembro as datas e nem do que foi dito. Eu sei que eu estava lá, está registrado. É estranho, complicado, interessante e tudo mais.

Tudo o que sou está registrado, arquivado e catalogado. Não tenho acesso direto, as lembranças aparecem quando querem, não possuo o controle. Na verdade, sinto que preciso lembrar tudo, mas às vezes quero esquecer e desistir. Não sei superar, não sei ser assim. Agora volto para o início, para aquelas crianças brincando na rua, consigo ver seus destinos em oito anos, posso deduzir. Seus irmãos e irmãs brincavam comigo quando eu tinha as suas idades. Hoje eu estou estudando em uma boa faculdade, em um bom curso e há um ano fiz um estágio que me direcionou para um futuro promissor, as crianças que brincavam comigo na rua por outro lado hoje estão paradas na mesma situação que se encontravam há seis anos, não cresceram. Continuam com suas vidas debochadas e invejosas, procurando defeito na vida alheia, assim como estou fazendo neste momento, procurando mostrar aos outros que estão bem, quando na verdade estão estagnadas em uma vida de pobreza de espírito, sem conhecimento e sem interesse de mudar.

Uma das meninas que brincavam comigo está com seu terceiro filho, teve o primeiro com quinze anos, outros garotos e garotas que conheci quando fui criança estão convivendo com pessoas ruins, que trabalham na ilegalidade. Acredito que tudo isso foi resultado da criação dada pelos pais e infelizmente receio que é este o futuro dessas crianças que brincam na rua hoje. Seus pais recebem uma bolsa do governo para ajudar nas despesas da casa, mas usam o dinheiro com cervejas todos os fins de semana enquanto as crianças ficam brincando seminuas nas pontes e correndo o risco de perderem a vida quando correm em direção à rua movimentada com suas bicicletas enferrujadas, minha mãe também recebia a mesma bolsa e gastava com cadernos e livros para meu irmão e eu. Hoje conseguimos ver a força que a criação dos pais exerce nas atitudes dos filhos.

É um desabafo? Seria um comentário? Ou um argumento? Não sei, o título diz que é uma reflexão. Ouvir a gritaria desnecessária dessas crianças na rua me fez perceber que já não há tempo, que elas estão aproveitando suas vidas enquanto estou sentado no canto escuro do meu quarto digitando textos sobre o que penso. Será que meu irmão também fará isso quando chegar aos dezenove? Eu espero que não, quero que ele viva, que se divirta, que não se sinta preso mesmo estando livre. O que é ser livre? É o que eu quero que meu irmão seja. Ele está chegando aos treze anos e o tempo também acabará para ele. Ainda é cedo, quem lê isso imagina que tenho vivido muito. Acredite ainda não tenho vinte anos. Não imagino o que os próximos vinte ou trinta ou quarenta anos me guardam. Tudo depende das minhas escolhas. Penso novamente naquelas crianças que estavam brincando na rua, o que será que o futuro mostrará a elas? Será que ficarão bem?

Às vezes sou egoísta e arrogante, todo mundo é não há como negar. Acho que o que eu escrevi acima foi arrogante, os comentários que fiz sobre o que aconteceu com as crianças que brincavam comigo foram ridiculos, eu não costumo ser assim, mas foram essas as palavras que vieram quando vi no que elas se tornaram. Fui egoísta em relação ao meu irmão, eu quero o melhor para ele. Quem é que não quer o melhor para a sua família?

Minha vontade é continuar a dissertar sobre a influência dos pais no crescimento dos filhos, sobre as crianças brincando e sobre as lembranças, mas é melhor que eu não exceda os limites e transforme isto em uma reflexão mais entediante do que já é. Também não quero repetir o que eu disse acima, só quero deixar registrado que hoje pensei sobre minha infância e que no começo eu estava triste, mas após os primeiros parágrafos me senti muito mais leve e satisfeito comigo mesmo.

Escrever é uma boa terapia, todos deveriam tentar. Au Revoir. 

Para: N.

Depois que você comentou sobre aquele dia que conheci seus pais fiquei lembrando, foi legal e eu estava apaixonado. Completamente fora da minha realidade, completamente fora de mim. Você foi uma pessoa muito paciente comigo. Primeiro, aceitou o desafio de me conhecer, mas eu fiz besteira e você não aguentou. Segundo, aturou uns meses em que fiquei tentando inutilmente resgatar o que tínhamos e piorando ainda mais a nossa “amizade”. Terceiro, aguentou minhas loucuras e crises de personalidade.

De um tempo pra cá as coisas mudaram bastante, claro que ainda penso no que aconteceu, mas já não importa tanto. Você agora já encontrou outro alguém e pelo o que eu li você deixou claro que ele tem o Melhor Carinho, Melhor Abraço, enfim, o Melhor que você procura agora. Lembrei da música (haha), apenas sons melódicos e  palavras agora. Acredita que estou sem nenhuma curiosidade de saber quem é o outro? Ok, talvez tenha um pouco, mas é suportável.

Sabe, na verdade não sei por que estou fazendo isso, não sei o motivo para eu estar me explicando ou escrevendo isso para você. Prometi algumas coisas a você que agora já tenho certeza de que não cumprirei, não há a menor necessidade então não farei mais. Claro que seria bom eu cumprir pelo menos essa promessa, mas pra quê? Se eu cumprir é capaz de complicar sua vida e causar ciúmes em quem eu nem conheço. Eu gosto de você, realmente gosto, mas há coisas que são melhores nas lembranças. Ah, minhas lembranças me torturam, isso é horrível.

Ignorei muita coisa que me diziam, muita coisa que eu via. Eu era exclusivamente seu. Você me tinha em suas mãos. Faz um tempo que eu prometi a mim mesmo que não iria procurar por você. Nos últimos meses, toda vez que eu puxava assunto você me ignorava ou dava respostas rápidas. Eu odeio me sentir ignorado, aliás, ninguém gosta. Decidi não chamar mais sua atenção, não puxei mais assuntos, parei de desejar bom dia e perguntar se você está bem. Eu quis estar perto de você quando você perdeu pessoas importantes, mas seu orgulho, pelo o que parece me afastou. Eu nunca fui bom em superações.

“eu não gosto de expor sentimentos.”

Pelo menos não gostava comigo, isso pelo que percebi mudou, mas já não importa. Já são seis meses. Seis longos e estranhamente rápidos meses passaram e ainda assim eu lembro claramente. Lembro que fui muito feliz entre fevereiro e maio deste ano. Fevereiro foi quando começamos a trocar mensagens, maio foi quando houve a mudança.

Guardei por algumas semanas sua blusa do Mickey na minha casa, o perfume era tão doce quando você esqueceu lá. Já passaram algumas semanas e a blusa continua guardada, você não veio buscar e só me restará ir devolver pessoalmente. O perfume não está mais presente, assim como você, e já não consigo lembrar.

Ok é mentira. Eu lembro, mas não importa, pelo menos finjo que não importa. Estamos seguindo outros caminhos. Outra mulher está na porta agora, abri e convidei para entrar, mas ela prefere que seja outro dia. Um passo de cada vez. Eu estou bem, você me parece bem e no momento é isso que importa. Juro que não sei como terminar isso, a verdadeira intenção era lhe entregar rosas e outras coisas, mas será que mudaria algo? Não acho que faria diferença. Não sei como finalizar isto, não era a intenção escrever sobre meu sentimento ou sobre você. Simplesmente são pensamentos que escrevi após ver sua foto com outro e seus comentários de que ele é Melhor. Egoísmo? Sim. Ciúmes desnecessários? Sim, também. Arrependimento? Com certeza, mas será que este desfecho não foi bom? Será que era simplesmente para ser assim?

E você ainda me ignora e eu finjo que já não me importo. Vou finalizar com a música que me faz lembrar você. Era a banda que eu escutava quando começamos. Era a música que não fazia sentido algum até terminar…

“… Vou ficar aqui, com um bom livro ou com a TV… Meu amor, cuidado na estrada. E quando você voltar tranque o portão, feche as janelas, apague a luz e saiba que…”

Enfim, é apenas isso. Eu ainda gosto de você.

Eu preciso ir.

Após aquela noite a mesma rotina se mantinha. Acordar às 9h,tomar o café da manhã e ir para à praia. Voltar para o almoço e depois ir para à praia novamente. Era uma rotina boa. Alguns dias depois daquela noite os pais de Gabi foram embora e a levaram com sua irmã. Ele ficou por mais uns três dias na casa de praia e durante este período contava as novidades para uma amiga através da Internet e explicava o algumas coisas que aconteceram com Gabriela e a paixonite durante aquelas férias, depois voltou para a capital com alguns primos. Os adultos perguntavam se eles ainda estavam com aquela ‘brincadeira’, mas ele não respondia, apenas sorria para quem perguntasse. Ele foi visitá-la em sua casa nos dias seguintes, durante uma das visitas a irmã estava presente e começou a conversar com eles, perguntou se eles estavam namorando de verdade e os dois olharam um para o outro, sorriram e concordaram. Estavam rotulando o relacionamento que tinham.
Passaram-se três dias desde que oficializaram que estavam namorando e um problema apareceu, ele iria embora. Ele não podia ficar, tinha um emprego onde morava e ainda estava terminando os estudos, ela sabia que ele não devia largar tudo aquilo que ele havia conquistado. Decidiram aproveitar aqueles últimos dias. Ele já nem parava mais na casa de seus avós, ficava mais tempo com a Gabriela. Então o dia chegou, ele estava de malas prontas, vestido com uma calça nova e uma típica camisa Polo listrada. Passou as últimas horas naquela cidade com Gabi, se despediu, mas ela não quis soltá-lo, chorava, era como se ela nunca mais fosse encontrar alguém como ele. Combinaram então de manter o relacionamento através da Internet, sem perder contato. Ela escreveu uma carta, ele prometeu ler apenas no avião. Ela chorou mais um pouco quando ele saiu de sua casa, o abraçou e ele saiu correndo sob uma forte chuva para buscar a mala na casa dos seus avós. 
Durante seis meses eles mantiveram contato através de ligações telefônicas interurbanas e conversas na Internet. Por um imprevisto ele não pode ir vê-la no natal e ela quis esperar o momento certo para um dia ficarem juntos, mas ele não concordou, não conseguia entender por que ela queria terminar, ele gostava daquele relacionamento. Ficaram um tempo brigados. O motivador foi ele. Quase um ano depois eles voltaram a ter contato através da Internet, fizeram pazes e chegaram ao consenso de que as brigas foram estúpidas e sem um motivo real. Ficaram bem. Ele havia acabado de sair de outro relacionamento e ela sabia que ele seguiria em frente, já haviam conversado sobre aquilo. Iriam viver. E se um dia seus caminhos se cruzassem novamente e ainda houvesse qualquer chance de algo acontecer, simplesmente aconteceria assim como foi naquelas férias de julho. 
Ficaram algum tempo sem conversar novamente, ele ainda estava ruim, mas por outros motivos. E um dia ele decidiu falar com Gabriela. Ele se sentia só, mas não queria demonstrar. Conversaram bastante e deixaram todas as notícias em dia e no final daquela conversa ela se despediu, desejou boa noite, mandou beijos e ele respondeu:

– Então beijos, abraços e canções de ninar. Um sorriso, um carinho nos cabelos, um beijo e meu sentimento.
Fim.

Gabi, não Gabriela.

Era um romance comum, porém diferente, é difícil explicar, nenhum dos dois nunca haviam experimentado algo do tipo, seus últimos relacionamentos haviam sido desgastantes, o último namorado de Gabriela a magoou e ela o deixou por ele não merecer seu amor e a paixonite que ele tinha na cidade onde ele morava estava apaixonada por outro alguém. Ela contava a ele sobre o antigo namorado e ele também contava sobre a paixonite, compartilhavam experiências. 
Passaram os primeiros dias ali e as brincadeiras e conversas aumentavam, ele admirava a beleza de Gabriela e ela não gostava, ficava incomodada por ele ficar encarando-a sem parar. Beijos apaixonantes não ficavam escondidos, todos sabiam o que estava acontecendo e alguns aparentavam não gostar. O pai dele havia dito que não era para ele levar a sério aquilo, dizia para ele não se envolver, que ele devia apenas aproveitar o momento e ele concordou, tentou agir diferente, mas não conseguiu. Então aconteceu aquele encontro, na casa de praia, onde todos os primos, alguns tios e amigos estavam reunidos com um violão e músicas da Legião Urbana e outras bandas brasileiras sob a luz da lua. As estrelas estavam simplesmente lindas, um verdadeiro céu brilhante que só quem estava ali e prestou atenção pode descrever. Ele estava com os pensamentos em dois lugares, pensava no que acontecia ali e pensava em sua paixonite, ele estava dividido. Havia uma bebedeira, um tio dele estava muito alterado e divertia todos com suas brincadeiras sem nenhuma noção de realidade, os primos também estavam presenciando seus próprios romances, ninguém se sentia só, pois todos se divertiam tanto que não tinha lugar para tristeza. A música parou. Gabriela e ele estavam agora sentados um de frente para o outro em suas cadeiras. Ele não parava de encarar Gabriela só para vê-la chateada, uma implicância inocente, sem problemas. Aquilo era a diversão dele. Ficaram ali por um longo tempo, namoraram um pouco e conversavam com os primos, riam por qualquer coisa. Todos a chamavam de Gabi, não Gabriela, era um apelido fácil e que ela mesma escolhera, ele não gostava, mas ainda assim lhe chamava daquele jeito. Uma das brincadeiras mais marcantes foi ‘O Susto’, só aconteceu uma única vez, mas foi o suficiente. Basicamente um dos primos começou a andar mascarado por entre as árvores e fazia barulhos assustadores na escuridão. Todos sabiam que era uma brincadeira, mas fingiam estarem assustados. Gabi também aparentava saber que era uma brincadeira e parecia fingir, mas em um determinado momento ele, sabendo os próximos passos do jogo, começou a distraí-la. Ainda durante ‘O Susto’, eles começam a namorar como se o jogo tivesse acabado. Ele vê que o primo que estava entre as árvores se aproxima e não diz nada, ela não percebia o que estava acontecendo. Em um determinado momento ela olha casualmente para o chão e vê uma camisa preta com uma mão apontando em sua direção e dá um grito de susto. Foi a melhor parte daquela brincadeira. 
Aos poucos todos iam dormir e os que ficaram lá na grama ficavam apenas conversando pois não podiam fazer barulho. Todos os pais dormiam. Gabi e ele foram para o lado da casa, onde não tinha ninguém, era um pouco mais privado mas ainda assim alguns primos e a irmã de Gabi apareciam para interromper o namoro. Gabi realmente gostava de beijos e com ele não era diferente, não faziam nada além disso, mas era algo intenso, quase inexplicável, havia uma química muito forte entre os dois. Aquela foi a única noite em que eles quase ficaram a sós, nos dias seguintes eles já agiam como um casal de namorados, mas não havia nada oficializado.

Continua… 

Gabriela.

Um sorriso, um carinho nos cabelos, um beijo e meu sentimento. Ele disse a ela em um tom romântico. Havia algum tempo desde a última vez que eles conversaram, ele agora estava muito mais adulto e ela também. Se conheceram naquela praia através de seus primos, eram as férias de família e todos estavam se divertindo. Naquele tempo ele era muito tímido, tinha muita dificuldade em fazer amigos, por isso só tinha dois. Sobre ela ninguém sabia muito. Gabriela era também quieta, mas era muito mais extrovertida. 
Quando se encontraram pela primeira vez ele estava na cozinha da casa de sua avó e ela estava com sua mãe próximo a janela da sala. Não há como saber o que ela pensou naquele momento pois ninguém nunca perguntou, mas ele imediatamente quis saber quem era aquela garota, ela era bonita, ele sentia que já a conhecia mas nunca havia visto ela antes. No ano em que se conheceram ela estava namorando com alguém e ele soube que este alguém não era uma pessoa boa. Eles começaram uma amizade, mas perderam o contato por um tempo. Um ano depois, nas férias de família, eles se encontraram novamente. A distância acontecia por que ele não morava na cidade dos seus avós. Ele chegou à cidade no mês de julho, era madrugada, todos já dormiam e ele decidiu ficar no sofá da sala de estar. Dormiu ali e quando acordou Gabriela e sua irmã estavam no outro sofá olhando para ele. Era notável que ela estava diferente, seu olhar dizia algo que ele, por ser ingênuo, não conseguia decifrar. Não houve um diálogo entre eles, apenas um breve “oi”. Não era possível dizer que estava acontecendo algo ali, até mesmo aquela amizade conquistada no ano anterior não parecia estar presente. 
Gabriela viajou antes de todos para a casa onde a família se encontrava para ir à praia, dois dias depois ele chegou lá. Houve o almoço, a música regional e até mesmo internacional, todos estavam se divertindo como era de costume. Ele ficou em um quarto distante dos outros por ter chegado tarde na casa, ela conseguiu um bom quarto onde também dormiam sua irmã e a prima dele. Foram para a praia, ele estava com vergonha da roupa que usava e imediatamente foi para o rio, a água fria e um calor típico do verão deixavam uma boa sensação em quem estivesse por lá. A irmã de Gabriela era na época a namorada de um dos primos dele, mas ninguém sabia, era um segredo entre primos e os pais dela não poderiam saber. Na praia houve um “clima” entre Gabriela e ele, a troca de olhares era mais intensa e ele por não saber o que fazer não agia, ela também estava muito tímida, ficaram apenas conversando. Então a irmã de Gabriela percebendo o que estava acontecendo começou a participar da conversa, pois sabia que nada aconteceria se ela não interviesse na história. Decidida em acabar o diálogo e fazer alguma coisa dar certo ela simplesmente disse ~dá um beijinho aí~. Foi algo rápido, Gabriela o olhou sem se mover e ele decidiu esquecer a timidez, a beijou. Desde então começaram a sempre ficar juntos, algo muito mais sério estava acontecendo, um acolheu o outro, um romance havia começado.
Continua…